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quarta-feira, 18 de maio de 2011

CULTURA INDÍGENA DESPERTOU A CURIOSIDADE DAS CRIANÇAS NA MENOTTI


No dia 17 de maio, cerca de 70 crianças da EMEF Professor Aroldo de Azevedo e leitores da unidade tiveram contato com a cultura indígena na biblioteca. Eles, inicialmente, visitaram a exposição “Índios da Metrópole” e ficaram encantados com a diversidade de fotos e textos sobre o Povo Guarani que vive na cidade de São Paulo.

Na sequência, participaram de um bate-papo, bem descontraído, com o escritor Olívio Jekupé, que é autor de 12 livros.


Olívio, utilizando-se de vários livros incluindo o publicado ”Ajuda do Saci”, explicou que a história do Saci (Kamba’i) é de origem indígena, ou seja, teve sua origem antes da chegada dos portugueses no Brasil, que se aproveitaram dos contos indígenas e criaram histórias como a do nosso “Saci Pererê”.

O autor comentou ainda que os índios só podem caçar e comer para sua própria subsistência e que essa prática envolve todo um ritual. Segundo ele, os “protetores dos índios” são entidades que mandam na Natureza. Por exemplo: nas matas, florestas e rios. “Para entrar na casa dos outros é preciso pedir licença, certo?”, perguntou Jekupé. “Para entrar na mata pedimos licença fumando um cachimbo porque sem esta autorização o índio pode ficar desprotegido e pegar uma doença”, contou o escritor, demonstrando respeito com o meio ambiente.

Para Olívio Jekupé, os moradores da sua aldeia também aprendem com a cultura do homem branco, porém de uma forma diferente, na medida em que estudam o Guarani, língua nativa de seu povo. “O português não é ensinado e os nativos podem aprender, naturalmente, se quiserem, mas é um português rústico o qual eles entendem, mas não falam direito”, contou o escritor que citou o seguinte exemplo: “Pergunta-se: Você sabe dançar? Resposta: Eu saibo”.


As crianças, que não conseguiam segurar o desejo
de perguntar, fizeram vários questionamentos:

Quantas mulheres um índio pode ter? Olívio, que estava na presença de sua esposa Maria, já respondeu de pronto: “uma só, embora existam tribos que permitam ter, as vezes, duas ou três mulheres”.


Por que o nome do livro é 500 anos de angústia? “Estávamos no ano de 1999, chegando ao ano 2000 e se muito se falava em 500 anos do descobrimento; então pensei: 500 anos de angústia.”

O que vocês comem? “Tudo, como: Raiz (mandioca, batata-doca, milho)”.
Olívio afirmou que a comida brasileira é uma adaptação da culinária indígena abrasileirada. “Quando os portugueses chegaram aqui eles não trouxeram marmitex, desde então, tiveram que se adaptar a comida do índio introduzindo em suas refeições alimentos como: mandioca frita, pamonha, tapioca, etc. O índio já bebia guaraná, só que o guaraná natural, que depois foi industrializado e virou refrigerante”, revelou o escritor.

E os questionamentos continuaram. Muitos levantavam a mão e, em determinados momentos, todos queriam indagá-lo. De um se ouvia: “Lá tem animais selvagens?”. De outro: “Quantos filhos vocês podem ter”, seguindo-se de: “O que acontece quando o cacique morre?” e “Quantos anos os índios podem viver?”.


Foto: Tânia, Darci, Maria José, Marcos, Patrícia, Olívio e Maria

Infelizmente o tempo passou, rapidamente, e as professoras tiveram que conter seus alunos devido ao já avançado horário. No final da conversa os alunos brincaram com o artesanato indígena e Olívio ainda esclareceu algumas dúvidas sobre a exposição “Índios da Metrópole”, que acontece até o dia 31 de maio, na Biblioteca Menotti Del Picchia.


Foto: Darci, Olívio, Patrícia e Maria

E, se ainda tudo isso não bastasse?

Ainda fomos presenteados por Olívio com o livro Ajuda do Saci, que carinhosamente autografou para nossa biblioteca.

4 comentários:

  1. “A índia Maria me mostrou fotos de sua filha, da neta e também de uma tia, eu achei o máximo porque vivemos em uma cidade grande e esses detalhes são importantes”, revelou a educadora, que ficou surpresa ao conhecer o autor indígena e por saber que seus livros estão disponíveis no acervo da biblioteca. “Nossos alunos ficaram atentos durante a palestra e gostaram muito”

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  2. Gisele Fusco Francisco18 de maio de 2011 17:18

    "Tema que desperta interesse aos alunos. Foi feito um preparo antes da palestra de incentivo aos alunos. Despertou interesse aos alunos, ainda mais por ter contato com um indígena carismático e que soube ministrar a palestra e prender o interesse dos alunos. Parabéns e que haja mais este intercâmbio escola/biblioteca, levando-se em conta a proximidade de ambas as instituições”.

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  3. Patricia Figueiroa18 de maio de 2011 17:19

    "Este encontro propiciou o enriquecimento cultural de todos".

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  4. Dizer obrigado é muito pouco para agradecer a oportunidade que tive ao conhecer o escritor Olívio Jekupé. Ele me recebeu, em sua aldeia, com muita hospitalidade e carinho.

    Desejo a ele e a todo Povo Guarani toda sorte do mundo. Nós - homens brancos, é que precisamos aprender com eles o que é ser civilizado.

    Parabéns a todos que participaram deste projeto.

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